Adaptação e Inovação

Atualizado: Mar 18


O corpo executa milhares de funções químicas numa explosão de informações combinando-se e recombinando-se sem parar. Cada emoção, movimento, clareza mental e inúmeras atividades dependem de sínteses químicas, do quanto o corpo está hidratado, da qualidade do sono, de como os sistemas orgânicos estão funcionando de modo sincrônico e organizado.


Estas delicadas estruturas de equilíbrio-desequilíbrio são dinâmicas e a questão central do estresse não é sobre o fato causador, mas sim sobre a maneira de responder ao estresse; a chave está na capacidade saudável de adaptação e inovação adaptativa. A inteligência do corpo fabrica soluções químicas e é bem interessante pensar que usamos o termo solução para a sensação de resolver problemas.



Disrupção e Dissipação


Imagine uma pessoa, sua mala de viagem e a impossibilidade de comprar outra mala.

Ao longo da viagem a pessoa adquire novas peças e quer que tudo caiba na mala; podemos dizer que as novas peças são vetores de disrupção, gerando interferência em algo que estava arranjado, precipitando um estresse adaptativo, que é o esforço para que tudo caiba lá dentro. Tudo denota esforço nessa adaptação e muitos processos químicos foram exigidos aqui, entre desistir e insistir.

A hora do embarque se aproxima e é necessário um novo comportamento para a nova realidade. Em geral, somos apegados a objetos e ideias e gostamos de controle, mas há uma decisão urgente à ser tomada.


Este “caos de escolha” provoca a dissipação. Nesse contexto, a pessoa olha as peças, olha para a mala, integra a nova realidade, uma revisão mais ampla acontece dissipando a necessidade de lutar e fazer força, percebendo que não há motivos para carregar tantas coisas, que pode apenas estar ali e interagir com a experiência enquanto a experiência acontece, dissipando a tensão, sustentando o sábio dito popular que ensina que, o que não tem solução, solucionado está.



Química da Vida


Dr. Ilya Prigogine demonstrou que severas perturbações em um sistema geram desequilíbrio e mudança, teoria que lhe rendeu, em 1977, o prêmio Nobel de Química.

Quando as perturbações não são severas o sistema altera mas, rapidamente, retorna ao movimento anterior numa sequência de acomodação. No entanto, quando as perturbações são severas, duas coisas podem acontecer, ou o sistema sucumbe, ou é empurrado para uma reorganização evolutiva que inclui a própria perturbação. O salto quântico acontece.


Em sua tese intitulada Estudo Termodinâmico dos Fenômenos Irreversíveis, observou que a aparente desordem de determinados sistemas físico-químicos pode, na verdade, ser fonte de um nova ordem, possibilitando o surgimento de novas estruturas nesses sistemas, e o que se percebe é a necessidade de perturbações severas para a evolução em saltos.


Filosofia e Consciência por trás do Caos.


Em outras palavras, para grandes mudanças, daquelas que não olham para trás, é necessário o caos.

O conflito severo não deixa espaço para retornar, é urgente e nada irá parar o movimento, evoluindo do sistema de adaptação para a dissipação.


“Um problema resolvido é como uma espada quebrada num campo de batalha” P.R.Sarkar.

Esta citação de ordem filosófica é interessante, pois auxilia a refletir sobre a necessidade de desafios na nossa jornada evolutiva, enquanto na ciência,

Dr. Ilya demostrou que os desequilíbrios fazem parte do equilíbrio, sendo o impulso necessário no fluxo da evolução.


Os sábios (e os químicos) dizem: o caos é necessário para a evolução.


Desenvolver o autoconhecimento prepara-nos tanto para as adaptações diárias, como para as exigências de inovação adaptativa, onde precisamos interagir e integrar nas soluções, tudo aquilo que nos parece adverso.








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