Quando as coisas são maiores do que nós

Atualizado: 23 de Mar de 2020



Você se lembra do Gigante? Aquele, que vivia lá no reino de cima, aonde ia o pé de feijão do João?

E dos dragões? E do Moby Dick?




O mundo simbólico expresso pelas mitologias e também pelos contos infantis; fazem um viés interessante.

As figuras que representam os vilões, costumeiramente, são de um tamanho imenso, com bocas enormes.

É a típica aparência do pavor: é imenso, incontrolável e irá engolir tudo.

Um outro traço comum, é quando, frente à ameaça, sem forças para fugir ou lutar, a resposta é congelar. É quando os personagens ficam azuis ou brancos, abrem muito a boca e olhos; mas não emitem nenhuma ação.


Este mundo simbólico só é possível ser representado, porque o conhecemos em nosso universo íntimo; e desejamos muito que algo nos salve.


Na experiência atual, estamos parados, congelados, de olhos arregalados.

Não estamos acostumados à clausura e menos ainda à experiência máxima de não ter controle. Somos seres de fluxo e estamos vivendo o des-fluxo. Temos que aprender, em tempo ultra rápido, o contrário do que temos cultivado como meta e como filosofia, pela individualidade e liberdade.

No entanto é possível, mais do que isso, é necessário, que algum movimento aconteça, para sair deste congelamento.


Em momentos assim, há um enorme pedido de ajuda, com a pergunta frequente: o que posso fazer? Na realidade, estamos tentando entender e encontrar o botaõ de controle.


O corpo, pela natureza química, e tudo no corpo é química, necessita movimentar-se. É, literalmente, dar serviço ao maquinário.


Você - e somente você - pode fazer por você.

Isso significa, direcionar um pouco do seu tempo, energia e dedicação para si mesmo, praticando pequenos exercícios de liberação emocional, respiração, meditação, movimentos livres corporais, jogos criativos de ressignificação.


Enquanto nos entregamos à atividade, o cérebro vai estabelecendo bioquímicas do bem estar; é preciso entender que este rearranjo químico é uma resposta natural, quando o corpo dará destino e função ao que está sendo produzido; e para que funcione é preciso que você se ponha em ação, para então experimentar o benefício da mudança.


O corpo produz os químicos necessários, para apoiar que enfrentemos crises, do modo mais saudável possível; mas temos que deixar o marasmo, o desejo de fórmulas mágicas, a criança do conto infantil que deseja um herói.

Precisamos tomar nas nossas mãos, a responsabilidade e o compromisso pelo bem estar pessoal.


Não sabemos quanto tempo e nem a extensão desta grande mudança na sociedade, nas relações pessoais, nos meios de produção, na economia.

Desejamos uma anestesia forte, que nos leve para reino encantado. Mas o reino é por aqui mesmo e ações são o que contam.

Busque boas informações. Descongele.


Segue um exercício simples:

Material

Pegue duas folhas de papel.

Numa delas escreva o que te incomoda (medo , pavor, angústia, ansiedade , etc) escolha um ítem só.

Na outra escreva um recurso. recurso é algo que te faz sentir bem ( seu gato, uma cor, o colo da avó, uma música, etc ) escolha um item só.


Preparação

Escolha um lugar no chão para colocar seu incômodo.

Escolha outro para colocar o recurso.

Deixe esta escolha de lugar fluir intuitivamente.


Prática

Entre, pise mesmo, no local onde está o recurso. Sinta o que acontece. Preste atenção no seu corpo. Vá "escaneando" suas sensações, fixando a memória de bem estar.

O recurso é um ponto de força. Vá percebendo a sua fisiologia. Postura de pés ( ambos estão no chão igualmente?), a respiração ( está livre?), quais sentimentos?, etc...

Vá encontrando no seu corpo esta força.

Saia.


Agora entre no lugar do incômodo. Sinta o que acontece. Preste atenção no seu corpo.

Perceba a fisiologia, onde está fraco ?, os sentimentos? etc...

Pode ser que vc queira sair. Tudo bem. Não se obrigue, respeite seu limite.


Volte lá na força. Tome a força.

Vá no incômodo. Repita.

Volte na força.


Vá percebendo como o incômodo vai perdendo potência. Pare quando desejar.

Você pode repetir com outros incômodos. Brinque, jogue o jogo da ressignificação.


O objetivo destas pequenas ações é que você possa mudar de um estado crítico, para uma espaço interno mais saudável e leve, enquanto a tempestade passa e os gigantes ameaçadores voltam a dormir.





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