O corpo não é uma máquina.

Atualizado: Ago 27


O que você faz, quando uma freada acontece? Claro, você se segura!

Para se segurar, os joelhos flexionam, os glúteos contraem, os ombros articulam, a coluna mobiliza, o abdômen encolhe para proteger os órgãos, a respiração muda e milhares de funções detalhadamente coordenadas, para que o impacto seja o menor possível.

Este é o sistema de adaptação que funciona todo o tempo, a Sabedoria Inata do corpo.

O corpo não é uma máquina.

Imagine a confusão, se precisássemos acionar todas essas alavancas e botões do corpo no momento de uma freada, só para segurar no balaústre!

Teríamos que seguir um manual de instruções incalculável, com milhares de funções organizadas por segundo, nos órgãos, endócrinas, grupos musculares, hormônios e, ainda por cima, compensar as emoções e pensamentos.

Ah! E tem mais! Precisaríamos escolher, dentre as inúmeras formas de manter-se seguro no momento da freada, qual delas seria a mais adequada, naquele dia específico.

Você conseguiria dizer ao sistema circulatório, quanto de sangue os músculos devem receber, para responder de modo ideal, à carga do impacto?

Estas reflexões, e novas maneiras de perceber que o corpo não é uma máquina, é o que se descortina quando começamos a entender o corpo como um complexo consciente, não maquinal, com memórias, estratégias e até mesmo certa capacidade de previsão.

Não é incrível saber que tudo isso é você?

O corpo é Consciência.

Percebe-se que não é possível sincronizar tantas ações por nossa vontade, então, quem coordena tudo isso?

Uma boa pista é entender que o corpo é Consciência, com a Sabedoria Inata atuando para que adaptações aconteçam sempre da melhor maneira, estando acordados ou em vigília, levando em conta pensamentos, sentimentos, traumas, angústias e todas as histórias que você viveu, vive e compõem a pessoa única que você é.

Não bastasse tanta coisa que acontece no mundo interno, também experimentamos aspectos de tudo que é peculiar ao fato de sermos humanos. Sentimos medo, fazemos comparações, somos movidos por desejos, etc. Esse aparato coletivo também nos afeta e limita a percepção de si mesmo, fazendo uma certa pressão, enrijecendo crenças inconscientes.

Somos corpos individuais em comunicação com este "grande corpo" de humanidade, e isso também precisa de elaboração e síntese, para darmos conta de viver no mundo.

O corpo é você, você é o corpo.

Neste sentido, não há um ser vivendo em um corpo, como se fossem objetos separados e sem comunicação.

Somos várias expressões de corpos, de substâncias diferentes, que se compreende como corpo físico, energético e corpos ainda mais sutis, interagindo no meio ambiente.

No entanto, a interação entre essas dimensões corpóreas é intrínseca, de onde se diz que não há separação.

Seu corpo é você, você é seu corpo e desta corporeidade você toma consciência do mundo e se expressa no mundo.

O serviço do sintoma.

Nem sempre conseguimos expressar inteiramente o que sentimos, os conflitos ficam registrados e são, na maioria das vezes, inconscientes.

O conflito inclui a possibilidade de sentir coisas desagradáveis, ou seja, a resposta disponível para um enfrentamento num dado momento, pode ser uma dor de cabeça, uma noite mal dormida, ou qualquer sintoma.

Trata-se então de um sistema consciente, corpo-mente-espírito, cujos sintomas e comportamentos, prestam o serviço de contar as histórias, e simultaneamente, são um convite para investigar padrões escondidos que fazem sofrer, como decepções, culpas, cobranças, inadequação, medo, tristeza, raiva.

Sem julgamentos.

O importante é ficar livre do julgamento, do condicionamento de que algo que te acontece é bom ou ruim, e perceber que um sintoma é uma forma de expressão, aquela que está disponível para lidar com o conflito, consciente ou inconsciente. É o corpo falando.

Na abordagem terapêutica BodyTalk, de certa forma, subvertemos a ideia de que o sintoma deve ser combatido, e abrigamos a perspectiva de acolher de forma integral, pois o sintoma também é a pessoa, sua história, não está ali por erro e nem por acaso.

Ih! Travou a coluna! O que mais está travado na história da vida inteira?

No sistema de saúde BodyTalk System ( literalmente "sistema corpo fala"), é para as histórias, para a pessoa, que nossa atenção se volta, e o que nos guia no processo é a Sabedoria Inata, a consciência ampla que o corpo é, para revelar complexidades além do sintoma.

Sabemos que a vida oferece desafios, freadas bruscas, de altíssimo impacto, afetando o complexo corpo-mente, e a maneira que encontramos de processar estes impactos pode ser dura e difícil, mas ainda assim, é a forma que conseguimos para lidar com a dor, para nos defender.

Acolher é fundamental.

O processo terapêutico no BodyTalk, preconiza observar a saúde, a força que já está presente, mas necessita de apoio para se expressar.

Muitas vezes será necessário "pegar o sintoma no colo", até sentir-se segura e acolhida, e em níveis profundos perceber que há formas mais amorosas para lidar com as próprias histórias, encontrando equilíbrio no desequilíbrio, tornando-se capaz de aceitar-se cada vez de forma mais saudável, pois somos seres com conteúdos sensíveis, e isso está longe de ser comparável a uma máquina.




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