Guerreiros

O estado meditativo sempre está pronto a revelar segredos iluminativos.

Num primeiro momento, imagens, informações que saltam na mente, podem não fazer muito sentido, mas se estivermos dispostos à investigar possíveis significados, muito auto conhecimento pode se dar.

Entendamos auto conhecimento, por saber de si, por acolher a própria subjetividade.

Há poucos dias, conduzindo uma meditação em grupo; e no meu processo pessoal, me vi como um guerreiro Massai!

A memória afetiva me levou aos antigos filmes do Tarzan.


Os Massai existem (ainda), e são muito conhecidos pelos grandes saltos que consegue executar. Mas, definitivamente, o "eu-massai" da meditação, queria me dizer outra coisa. Eu queria perceber, que energia era aquela que meu processo interno, simbólico e inconsciente queria revelar.

Muitas vezes, depois de processos assim, basta a gente se aquietar que a intuição faz emergir a resposta.

Aquele momento A-há! Que te levará para a próxima pergunta.

Outras vezes, é preciso buscar e foi esse o meu caso.


Comecei a pesquisar, até chegar a um incrível processo de mudança estrutural, que transcendeu um costume tradicional, a partir do entendimento sistêmico.

Cheguei até uma moça de nome Leela Hazaa. Uma bióloga egípcia, com sua história de amor pelos leões.

Esse amor, a levou até os Massai, pois guerreiros Massai em sua tradição, matavam leões.

Aos poucos, ela foi entendendo, integrando e transformando o comportamento dos Massai em relação aos leões. Caçar e matar os leões era um símbolo de virilidade e força, um desafio dos deuses. Leela mostrou que, o que parecia uma proposta de autoafirmação, uma vez destruída e transformada numa carcaça sem vida, nada valia! Na verdade, dentro de um guerreiro, após o êxtase da caça, ficava uma sombra, pois em sua alma, aquele ser magnífico, era parte de si.

Ela conseguiu transformar caçadores de leões em protetores!

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E então, eu comecei a ter uma pista sobre a simbologia no meu processo.

Olhei para meus "leões". Olhei para meu guerreiro Massai, já bastante transformado. Viva a terapia!

Olhei para tantos leões que matei, outros que precisei correr e olhei aqueles com os quais já pude apaziguar.

Mas eu também vi, que eu-Massai ainda traz sua velha lança. Não usa muito, mas está ali, porque ainda precisa estar.

Prefere ver os leões livres e tentar conquistar-lhes o coração, entendendo que os desafios fazem parte do viver.

No momento em que for possível, sem nenhuma pressa, quando a lança não fizer mais sentido, deixará de existir como lança e talvez seja apenas um objeto de apoio.


Maravilhoso entender que, mesmo comportamentos tradicionais, repetições seculares nocivas, podem ser modificadas quando o pensamento sistêmico é integrado à existência. Quando alguém olha para si mesmo em todas as suas nuances; a coragem, o medo, tudo é parte que faz parte deste colorido imenso da vida.


Pensa naquele hábito ou comportamento no qual você se sente preso. Agora pensa nos Massai... Viu? É possível. Tornou-se possível porque algo grande pode ser compreendido.

Mas eu fui um pouco mais adiante e lembrei de uma fábula.

O HOMEM E O LEÃO - Fabula de ESOPO - Fabulista grego do século VI a.C. - "Um homem e um leão discutiam sobre qual deles era o mais forte, e decidiram conferir ali mesmo. O homem levou o leão até uma sepultura, onde havia uma pintura do defunto matando um leão. O leão retrucou: - O que você me mostrou foi pintado por um homem. Se eu fosse pintar, retrataria um leão matando um homem. Não vamos mostrar nada, pois é melhor medirmos nossas forças um contra o outro. Depois de matar o homem, o leão disse: - Uma prova pintada não é suficiente. Ele agora descobriu que eu era mais forte. . Moral da história : Nem sempre é verdade o que está escrito em algum lugar; é necessário provar a verdade com atos. Esopo."


Tão atual!

Atos são as ações que apenas precisamos ter a nosso favor, no sentido de melhor conhecer-se.

Quantas coisas este Massai me trouxe. Mas tente não se apegar. Massais são nômades. Não há apenas uma resposta.

É isso que fazemos na terapia. Nos descobrimos em muitas faces, todas elas sobre nós mesmos.


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