Depois de arrumar os armários.

Atualizado: 25 de Mar de 2020

Como as demais coisas da vida, o estresse tem fases.


Inicialmente, o impacto da informação, produz as respostas do corpo que visam aumentar as condições de sobrevivência, que são: lutar, fugir, congelar ou desmaiar.


Na primeira fase, que é a fase de alerta, dentro das quatro possibilidades de reação, nossa estrutura organizacional inata vai oferecer a resposta disponível e isto não está sob controle da mente. Ou seja, a pessoa terá a reação que tiver; podendo ser surpreendente para os seus pares; pois pessoas muito proativas, poderão congelar e os mais apáticos, serem capazes de correr quilômetros.


Na segunda fase, descrita como fase de resistência, podemos ter reações até opostas aquelas experimentadas na primeira fase. Aqui também, é onde tomamos providências na tentativa de voltar para a normalidade. Fazemos estoques, oferecemos ajuda, participamos de muitas ações, cantamos na varanda, mobilizamos nossa energia para tentar colocar a casa em ordem e isto é gerador de cansaço.


Caso as razões do estresse, como o confinamento, se demorem mais do que esperamos, inicia-se uma fase descrita como quase-exaustão. Nesta fase, o processo de cansaço, distração, desânimo, começam a aparecer. Aqui também verifica-se variações de humor e emocionais, entre ansiedade, prostração e até hiperatividade, afetando o sono, o apetite, a regulação da sede.


Nada mudando, na última fase, a exautão, a pessoa já não consegue sustentar algum equilíbrio, tendendo à profunda prostração, com um comportamento de energia depressiva.

Percebo esta fase como uma perda de motivo-para-ação.


Este paradigma é denominado modelo quadrangular do estresse e há bastante literatura disponível.


Penso que o conhecimento faz toda a diferença, para que possamos nos conhecer e ter melhores possibilidades de respostas.


As fases do estresse compõem uma resposta dinâmica do corpo. Quer dizer, eu e você passaremos por elas, porém se já tivermos aprendido a reconhecê-las, teremos mais chances de nos auxiliar e auxiliar outras pessoas.


Aqueles garotos da caverna deram um exemplo ao mundo, naquele evento que a todos mobilizou, já estavam a nos ensinar o que devíamos desenvolver como habilidade.

Brevemente, se não desenvolvemos recursos de resistir na caverna, nem todos os canais abertos da tv à cabo e um milhão de cursos livres e aulas grátis, serão capazes de manter um estado que possa lidar melhor com o estresse pós traumático.


Então é sobre meditar, sobre fazer suas práticas de corpo. Sem dúvida!

Mas é, prioritariamente , sobre ter objetivo e rotina. Sobre dar sentido e direção.


Na caverna, o objetivo era manterem-se vivos nas melhores condições, isto levou à que a rotina de meditação ganhasse um significado profundo, onde a ação organizada de meditar estava direcionada à algo que poderia ser alcançado.

Exatamente! Nosso cérebro tem uma área específica de premiação; aquela sensação de missão cumprida.

Na meditação em si não há intenção envolvida, mas o ato de meditar, como rotina, sim.


Acontece que não estamos presos numa caverna, podemos olhar pela janela e nos entupir de informação-desinformação. Mil e quinhentas lives anunciando o melhor jeito de você lidar com você. Listas intermináveis de cursos. Infindáveis exercícios de respiração.

É tudo muito nobre, honro à todas as ações, também faço parte.


Mas, entre tudo isso, você precisa impor a rotina, para que a sensação de utilidade/missão cumprida, compense boa parte desses fatores estressores, que vão alterar o ciclo de atividade e repouso, afetando sono, sede, fome e sexualidade.


Se você tem crianças em casa, é importante que eles tenham suas rotinas, para estudar, horários para comer e dormir, regras para ficar fora da tv. Transfira para elas alguma rotina de responsabilidade, como regar as plantas, por exemplo.

Adultos precisam encontrar novos projetos, ou cursos mais difíceis; aqueles com começo, meio, fim e tarefas. Algo que te desafie de verdade e não seja apenas uma distração.

Há uma população especialmente vulnerável, que são os idosos. Muitos vivem sozinhos e sua atividade social estava nas suas igrejas e templos, numa conversa com algum vizinho, no carteado do banco da praça.

Idosos, por resposta natural do fato de envelhecer, tem seus estímulos de fome e sede paulatinamente desligados. Uma das maiores razões de quedas em idosos, é a desidratação.

Se você tem vizinhos ou parentes nesta condição, uma ligação de três minutos, para perguntar como dormiram e se beberam água, poderá ajudá-los a passar mais um dia, fora da fase da exaustão. Quando sabemos o que é e como é, podemos reconhecer no outro.

,E talvez esta seja uma boa rotina para você também.


Depois de arrumarmos todos os armários, precisaremos de algo com sentido e direção. Chama-se ROTINA.


Lembre-se: sem rotina, sem prêmio. E celebre cada tarefa da sua rotina. O cérebro gosta e o sistema imunológico também.


Trecho com o link do Correio Brasiliense


"Muitos desses sintomas, e da gravidade deles, dependem de alguns fatores. Por exemplo, se a quarentena é voluntária ou forçada pelos governos, assim como a extensão da rede de suporte social. Acesso a notícias precisas também media esse processo. Já informações repetitivas que permeiam o ciclo de notícias de 24 horas podem piorar o estresse, alerta.'

https://www.correiobraziliense.com.br/app/noticia/ciencia-e-saude/2020/03/22/interna_ciencia_saude,835885/quarentena-pode-desencadear-estresse-pos-traumatico-especialistas.shtml




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